Política no Pantanal: quando o discurso preserva e a prática afunda
O Pantanal, um dos maiores e mais ricos biomas do planeta, virou presença constante nos discursos políticos — principalmente em épocas de eleição. Todos dizem defender, proteger e preservar. Mas, fora dos palanques, a realidade mostra que o Pantanal segue à deriva entre promessas bonitas e ações tímidas.
Nos últimos anos, o bioma tem sofrido com queimadas históricas, assoreamento de rios, avanço desordenado da atividade econômica e ausência de políticas públicas contínuas. Ainda assim, o debate político costuma se limitar a notas oficiais, grupos de trabalho e anúncios que raramente saem do papel.
Em Mato Grosso do Sul, onde grande parte do Pantanal está localizada, projetos ambientais muitas vezes esbarram em interesses econômicos, burocracia e falta de integração entre governos municipal, estadual e federal. O resultado é um jogo de empurra: ninguém assume o problema por inteiro, mas todos disputam o crédito quando algo minimamente funciona.
Enquanto isso, ribeirinhos, pequenos produtores e comunidades tradicionais convivem com a incerteza. Falta apoio técnico, fiscalização eficiente e investimentos reais em prevenção — não apenas em ações emergenciais quando o estrago já está feito.
O Pantanal não precisa de mais slogans nem de campanhas publicitárias com imagens aéreas e trilha emocionante. Precisa de planejamento, orçamento, fiscalização e, principalmente, vontade política de longo prazo. Preservar o bioma não é uma pauta de esquerda ou direita — é uma questão de sobrevivência ambiental, econômica e social.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: o Pantanal continuará sendo usado como cenário de discurso ou, finalmente, será tratado como prioridade real?

Muito bom!
valeuu